Caso Samylle: MP denuncia tios de menina de 4 anos morta no RS por tortura e feminicídio

  • 14/09/2026
(Foto: Reprodução)
Caso Samylle: tia de menina de 4 anos morta após agressões é presa no RS O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) denunciou à Justiça, na sexta-feira (11), a tia que tinha a guarda de Samylle Valentina Borba Ramiro e o companheiro dela pelos crimes de feminicídio e tortura. A menina, de 4 anos, chegou morta a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Porto Alegre na noite de 16 de agosto. A denúncia foi apresentada pelas promotoras de Justiça Luciana Casarotto e Graziela Vieira Lorenzoni. Segundo a acusação, o homem praticou as agressões que resultaram na morte da criança. A tia foi denunciada por contribuir para o resultado ao não buscar atendimento médico imediato. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Conforme o Ministério Público, "o denunciado concorreu para a prática do delito ao desferir violentos golpes contra a vítima". Em relação à tia, a acusação afirma que ela tinha o dever de prestar socorro por ser a guardiã de fato da criança. Segundo a denúncia, a mulher permaneceu em casa com Samylle por um período incompatível com a gravidade dos ferimentos para evitar a responsabilização criminal do companheiro. "A denunciada concorreu para o resultado morte mediante a prática de conduta omissa penalmente relevante, uma vez que, sendo tia e guardiã fática da criança, poderia e deveria ter adotado imediatas providências para socorro médico após constatar os ferimentos em Samylle. No entanto, a denunciada permaneceu com a criança em casa por período incompatível com a gravidade dos ferimentos, no intuito de evitar a responsabilização criminal do companheiro", diz a acusação. Os dois também foram denunciados por tortura. O MPRS sustenta que Samylle foi submetida a intenso sofrimento físico como forma de castigo pessoal. O laudo de necropsia identificou lesões em diferentes estágios de cicatrização, compatíveis com episódios de violência ocorridos ao longo de dias e semanas. Segundo a denúncia, as agressões foram motivadas pelo fato de a menina ter evacuado nas roupas. A acusação sustenta que o feminicídio ocorreu em contexto de violência doméstica e familiar. Também aponta como circunstâncias do crime o fato de a vítima ter menos de 14 anos, o emprego de tortura e meio cruel, o uso de recurso que dificultou a defesa da criança e o motivo fútil. Por que o MP denunciou por feminicídio As promotoras afirmam que o caso se enquadra como feminicídio porque Samylle era uma menina, morava com os denunciados e estava inserida em um contexto de violência doméstica e familiar. "A legislação brasileira passou a reconhecer expressamente o feminicídio como uma forma autônoma de homicídio praticado contra mulheres em razão de sua condição feminina. No caso, a vítima era uma menina de quatro anos e estava inserida em um contexto de violência doméstica e familiar, circunstância expressamente prevista na lei", afirmou a promotora de Justiça Graziela Vieira Lorenzoni. A promotora de Justiça Luciana Casarotto afirmou que a proteção conferida pela Lei Maria da Penha também abrange crianças e adolescentes do sexo feminino em situações de violência doméstica. "O entendimento dos tribunais superiores é de que a proteção conferida pela Lei Maria da Penha alcança meninas e adolescentes vítimas de violência doméstica e familiar. A condição de mulher da vítima é suficiente para a incidência da legislação protetiva quando a violência ocorre no âmbito doméstico e familiar. A idade não afasta essa proteção", afirmou. A menina morava há cerca de dois meses com os tios, com aval do Conselho Tutelar. Ela chamava de pai o homem indiciado pelo crime. O que diz a defesa dos tios "A defesa de ambos sustenta a inocência deles que restará comprovadamente quando da resposta ao quesitos complementares formulados pela defesa e deferidos pelo juízo. Novamente a defesa é surpreendida por mais um ato da acusação em procurar imputar fatos aos acusados que sequer foram ainda comprovados pelos laudos científicos que ainda não foram aportados ao processo. A defesa aguarda o retorno do IPG dos quesitos apresentados e prima pela análise técnica do judiciário a respeito dos fatos. Demetrius Teixeira, Marilu Espíndola, Aline Rassier, Fabiana Espíndola e Leonardo Espíndola, JMF Advocacia." Samylle: tios são denunciados pelo Ministério Público do RS Ronaldo Bernardi/Agência RBS Relembre o caso O caso ganhou repercussão após a morte da menina, que foi levada já sem vida pelos tios a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Porto Alegre. Conforme o atestado de óbito, a causa da morte foi politraumatismo. À época, Nicolas Gabriel Almeida Staubus, de 22 anos, tio da criança, confessou ter agredido a sobrinha. Com a conclusão do inquérito, a Polícia Civil encaminhará o caso ao Ministério Público, que avaliará o oferecimento de denúncia à Justiça. LEIA TAMBÉM: Polícia investiga morte de criança de 4 anos em Porto Alegre após agressões 'A investigação vai dizer se foi vítima de tortura', afirma delegado Mãe de menina presta depoimento à polícia e diz que não via filha há dois meses 'Chamava ele de pai', diz delegada sobre vínculo entre criança e tio que confessou agressões O que falta saber sobre caso Samylle O que diz a defesa de Nicolas Staubus "Recebemos a notícia do indiciamento com indignação e surpresa tendo em vista que aguardamos decisão judicial determinado que seja dado acesso integral ao inquérito policial, decisão esta que ainda sequer foi exarada. A defesa ainda não teve acesso integral aos elementos de prova já documentados em clara afronta a súmula vinculante n 14 do STF, ainda hoje reiterou o pedido de acesso nos autos do pedido de prisão preventiva de Nicolas, único expediente que a defesa teve acesso até o momento. Também apresentou quesitos complementares para que os peritos respondam, assim como o ministério público. Se houve o indiciamento, tal fato só demonstra como o presente caso tem sido tratado com açodamento exagerado pela autoridade policial, desconectado de sua função precípua de investigação isenta de pressões sociais e midiáticas, em busca do enfrentamento de todas as hipóteses investigativas possíveis para um fato tão triste para toda a família da vítima. Esperamos que tais distorções ocorridas no nosso sistema de justiça criminal sejam corrigidas pelo judiciário de forma tão célere quanto tem sido a busca pela culpabilização sumária adotada até o momento. O devido processo legal é o marco civilizatório que nos trouxe até os dias de hoje não podemos coadunar com posturas desarrazoadas que nos afastam do estado democrático de direito vigente. Demetrius Teixeira, Marilu Espíndola e Aline Rassier, advogados de Nicolas Gabriel Almeida Staubus." Ponto a ponto Um infográfico do g1 reúne os principais acontecimentos desde abril de 2025, quando a família passou a ser atendida pela rede de proteção. Veja abaixo. Menina de 4 anos morre no RS; tio é preso Arte/g1 Samylle Valentina Borba Ramiro, menina de 4 anos que morreu no RS Reprodução VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/09/14/caso-samylle-denuncia-mp.ghtml


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